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Sällbo - projeto habitacional onde jovens e idosos devem conviver. Helsingborg,no sul da Suécia

Foto do escritor: Ines Rioto
Ines Rioto
há 5 dias
3 min de leitura

O projeto Sällbo espera atenuar alguns dos efeitos negativos da digitalização, como o tempo excessivo gasto em jogos ou na verificação de redes sociais (Crédito: Benoit Derrier).


(Crédito: Benoit Derrier)


Maddy Savage

Correspondente de reportagens BBC


Experimento de vida coletiva em Helsingborg, uma pequena cidade litorânea no sul da Suécia. Conhecido como Sällbo (uma combinação das palavras suecas para companheirismo, 'sällskap', e vida, 'bo'),


O projeto exige que todos os moradores assinem um contrato prometendo passar pelo menos duas horas por semana juntos. Pouco menos da metade dos moradores são jovens com menos de 25 anos, e o restante são aposentados. A maioria mora sozinha, embora alguns tenham se mudado em casal ou trazido seus animais de estimação.


“Tentamos combater a solidão, para que as pessoas se sintam mais incluídas socialmente”, explica Dragana Curovic, uma das gestoras do projeto, lançado em novembro de 2019 e administrado por uma empresa de habitação financiada pela prefeitura.


O projeto deverá ser reavaliado pela prefeitura em dois anos, mas seu sucesso até o momento chamou a atenção de outras cidades da Suécia, bem como de empresas imobiliárias de outros países.


“Acredito que o projeto tem potencial porque é direcionado a dois grupos específicos de pessoas que vivem sozinhas – jovens e idosos – que estão numa fase temporária em que ainda buscam se conectar com outras pessoas”, afirma Gunnar Andersson, professor de demografia da Universidade de Estocolmo, que estuda tendências de vida na Suécia. “Ao estarem juntos – pessoas de diferentes categorias – diminui a segregação e também proporciona uma melhor qualidade de vida.”


Os moradores foram todos escolhidos a dedo para garantir que tenham uma variedade de personalidades, origens, religiões, interesses e valores diferentes.


O aluguel varia entre 4.620 e 5.850 coroas suecas (US$ 478 a US$ 602) por mês, aproximadamente o mesmo preço de apartamentos de tamanho semelhante com aluguel controlado em outras partes da cidade.


Mas em Sällbo, além de terem seus próprios apartamentos individuais (incluindo cozinhas e banheiros separados), os moradores também têm acesso a diversas áreas de convivência, projetadas para promover a interação entre si. Há uma academia, uma sala de ioga e várias cozinhas comunitárias. Um ateliê de artes e artesanato já está repleto de painéis de inspiração, tintas e lãs criados pelos moradores, que também começaram a abastecer a biblioteca com livros.

 

'Nós lutamos contra a solidão, para que as pessoas se sintam mais incluídas socialmente' − Dragana Curovic


'Durante muito tempo, acreditou-se que os idosos eram mais solitários do que outras pessoas. Mas parece que agora os jovens correm um risco maior de serem afetados pela solidão' − Johanna Nordin


O projeto Sällbo também espera mitigar alguns dos efeitos mais negativos da tendência global de digitalização, como o aumento do tempo gasto online, jogando ou nas redes sociais. Uma revisão de pesquisas nórdicas, publicada pela Mind em janeiro, concluiu que, embora sejam necessários mais estudos, há um crescente conjunto de evidências que demonstra que jovens mais ativos no mundo digital têm maior probabilidade de relatar níveis mais baixos de bem-estar.


“É um efeito da era digital que não precisamos encontrar pessoas com tanta frequência como antes”, explica Johanna Nordin. “É muito fácil ficar em casa com o computador ou o celular.”


Em Sällbo, o Wi-Fi é gratuito em todas as áreas comuns, mas os inquilinos devem pagar pelo acesso à internet em seus quartos. "Quando falamos em 'socializar', às vezes basta sentar ao lado de alguém e sentir a presença dessa pessoa – isso não é possível pelo computador ou pelo telefone"



Desde a sua inauguração, não há dúvida de que o projeto Sällbo já teve um impacto significativo. Os moradores compartilham prontamente suas histórias de jogos de cartas, exercícios físicos ou tarefas uns para os outros, e muitos deles parecem visivelmente "mais felizes e fisicamente ativos.




 
 

São Paulo/Brasil

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