• Ines Rioto

Sinais de que o idoso talvez não possa mais morar sozinho




A decisão de ajudar um idoso a se mudar da atual residência é sempre complexa, tanto em termos emocionais quanto práticos. Antes de mais nada você quer que a pessoa esteja segura e bem cuidada. Como saber se as circunstâncias sugerem que seu familiar não pode mais viver sozinho?

Confira a seguir alguns sinais de que talvez seja hora de pensar num outro arranjo de moradia.


1. Sinais gerais


Mantenha os sinais de alerta em mente. Algumas situações deixam evidente que talvez seja sábio começar a pensar em novos arranjos de moradia.

Fique de olho em:

– Acidentes recentes ou quase-acidentes. Seu familiar caiu, teve alguma situação médica assustadora ou algo do gênero? Quem ajudou e quanto tempo levou? Acidentes acontecem e à medida que as pessoas envelhecem, aumentam as chances de se repetirem.

– Uma recuperação lenta. Como o idoso se recuperou da doença mais recente (como um resfriado ou uma gripe)? Ele foi capaz de procurar ajuda quando necessário ou a gripe evoluiu para uma bronquite não tratada?

– Uma condição crônica que vem piorando. Condições progressivas como DPOC, demência e insuficiência cardíaca podem evoluir de maneira gradual ou repentina, mas de qualquer forma, sua presença significa de que seu familiar vai precisar de cada vez mais ajuda.

– Dificuldade crescente de gerenciar atividades da vida diária e atividades instrumentais da vida diária. Essas são as habilidades necessárias para se viver de maneira independente – vestir-se, fazer compras, cozinhar, lavar as roupas, gerenciar medicações, etc. Médicos, assistentes sociais e outros especialistas em envelhecimento avaliam essas habilidades como parte da avaliação funcional do idoso. Dificuldades com elas podem ser em parte sanadas com a ajuda de cuidadores.


2. Sinais específicos

Dê um abraço apertado em seu familiar. As pistas podem nem sempre ser visíveis se você estiver longe, principalmente se você não vê a pessoa todos os dias. Você pode descobrir algumas coisas através do contato físico. Fique de olho em:

– Perda de peso visível. A pessoa se sente mais magra? As roupas ficaram muito grandes ou foi necessário acrescentar furos no cinto? Muitas condições, de depressão a câncer, podem causar perda de peso. Uma pessoa que tem dificuldades para sair para fazer compras ou lembrar como cozinhar (ou comer) pode perder peso. Verifique a geladeira e observe as habilidades de preparo de comida.

– Aparência de fragilidade. Você sente algo diferente em relação à força ou estatura do idoso quando você o abraça? Seu familiar consegue se levantar facilmente da cadeira? Ele parece ter pouco equilíbrio? Compare essas observações com a última vez em que vocês estiveram juntos.

– Ganho de peso visível. Causas comuns incluem uma lesão que pode estar dificultando movimentos, diabetes e demência (se a pessoa não se lembra de ter comido, ela pode fazer refeições e pequenos lanches o dia todo). Alguém com problemas financeiros pode escolher menos comidas naturais e mais alimentos processados ou massas e pães.

– Odor estranho no corpo. Infelizmente, um abraço pode também revelar mudanças nos hábitos pessoais de higiene da pessoa. As causas variam de problemas de memória a depressão, passando por outras condições.

– Mudanças na aparência. O cabelo e a maquiagem da pessoa parecem corretos? As roupas estão limpas? Alguém conhecido por estar sempre com as camisas passadas que agora anda pela casa com um moletom manchado pode estar com dificuldades de abotoar ou pode ter perdido a força para conseguir passar a roupa. Um homem sempre bem barbeado que agora está com a barba mal cuidada e por fazer pode estar se esquecendo de se barbear (ou se esquecendo como se barbear).


3. Sinais sociais

Pense realisticamente nas conexões sociais dessa pessoa. Círculos sociais tendem a diminuir com a idade, o que pode ter implicações na saúde e na segurança. Fique de olho em:

– Sinais de amizades ativas. Seu familiar ainda se reúne para almoços ou encontros com amigos ou visitas a vizinhos ou participa de atividades religiosas ou outros eventos em grupo? Ele fala sobre outras pessoas ou mantém um calendário de compromissos? A falta de companhia está associada a depressão e problemas cardíacos em idosos. Se os amigos morreram ou se mudaram, mudar para um lugar com outras pessoas pode ser uma ótima solução.

– Sinais de que seu familiar reduziu atividades ou interesses. Um dos hobbies foi abandonado? A mensalidade do clube venceu? O cartão da biblioteca está sem uso? Há muitas razões por que as pessoas reduzem, mas abandonar tudo e não ter interesse por nada é um alerta para depressão.

– Passar dias sem sair de casa. Isso às vezes acontece porque a pessoa não consegue mais dirigir ou tem medo de usar transporte público sozinha e não tem companhia para fazê-lo. Embora muitos idosos tenham medo de ficar trancados numa ILPI, muitas dessas instituições oferecem saídas regulares que podem mantê-los mais móveis e ativos.

– Alguém que apareça regularmente. Se não é você ou outro membro da família, quem assume essa tarefa de checar se o idoso está bem periodicamente? Ele está aberto a adotar um sistema de alarme de segurança domiciliar, um alarme pessoal ou um serviço de teleassistência?

– Um plano para casos extremos. Se houver uma enchente, um incêndio ou algum outro desastre, há alguém nas proximidades para ajudar? Seu familiar idoso entende esse plano?


4. Sinais financeiros

Fique atento às correspondências. Elas podem oferecer pistas geralmente ignoradas de como ele está lidando com dinheiro, um sinal precoce comum de problemas cognitivos. Fique de olho em:

– Correspondências espalhadas. Encontrar várias correspondências espalhadas pela casa gera preocupação com a forma com que contas, seguros e outras questões estão sendo gerenciados. Além disso, pilhas de correspondência podem representar um risco para quedas.

Contas não abertas. Isso pode indicar que seu familiar está com dificuldades para gerenciar suas finanças – um dos sinais iniciais de demência mais comuns.

Cartas de bancos, credores ou seguradoras. Correspondências institucionais não são motivo de preocupação, mas podem ser se forem referentes a pagamentos atrasados, balanços negativos, acidentes recentes ou outros eventos.

Cartas de agradecimento de instituições de caridade. Idosos são muito vulneráveis a esquemas. Mesmo aqueles que sempre foram prudentes são vulneráveis se estiverem com problemas com raciocínio. Muitas instituições ligam para doadores múltiplas vezes e seu familiar pode não se lembrar de ter doado a primeira vez.


5. Sinais na direção

Pegue uma carona com seu familiar ao volante, se ele ainda dirige. Em nossa cultura, morar de maneira independente em geral depende da capacidade de dirigir (ou de se arranjar outras opções de transporte). Fique de olho em:

– Amassados ou arranhões no carro. Repare no carro quando entrar ou sair. Marcas de dano podem ser causados por falta de cuidado ao volante.

– Se a pessoa imediatamente afivela o cinto de segurança. Mesmo pessoas com demência leve geralmente seguem as regras básicas de direção. É preocupante se o idoso esquecer esse passo.

– Tensão, preocupação ou distração fácil. A pessoa pode desligar o rádio, por exemplo, ou não querer conversar enquanto dirige. Ele pode evitar certas rotas, evitar dirigir em vias rápidas, ou evitar dirigir à noite e na chuva – um auto-policiamento seguro, mas que também pode indicar mudanças na habilidade.

– Sinais de direção perigosa. Pessoas com a capacidade de dirigir comprometida têm mais probabilidade de bater na traseira de outro carro, sair de sua faixa, andar abaixo da velocidade permitida, reagir lentamente a faróis e carros, e confundir o acelerador e o freio.

– Luzes de aviso. Cheque as luzes no painel enquanto dirige com seu familiar. O carro tem gasolina, óleo e outros itens em quantidade suficiente?

6. Sinais na cozinha

Verifique a cozinha, da geladeira aos armários. Como as pessoas passam muito tempo neste cômodo da casa, é possível encontrar alguns sinais aqui. Fique de olho em:

– Comida vencida. Todos nós compramos mais do que precisamos. Fique atento a sinais de que a comida não está apenas velha, mas não notada – mofo, leite azedo que ainda está sendo usado, ou datas de vencimento que já passaram há muito tempo.

– Grandes quantidades do mesmo item. Dez vidros de ketchup? Cereal suficiente para um ano inteiro? Grandes quantidades podem revelar que o comprador não se lembra do que ele tem estocado em casa entre uma ida e outra ao supermercado.

– Um freezer cheio de comida congelada. Seu familiar pode comprar comida congelada pela conveniência, mas eles geralmente não são saudáveis. Se não há muitos alimentos frescos na casa (porque é muito difícil para a pessoa comprar ou preparar), talvez o idoso esteja pronto para receber ajuda no preparo das refeições ou para serviços de entrega de comida.

– Eletrodomésticos quebrados. Cheque todos eles: microondas, cafeteira, torradeira, máquina de lavar, secadora – algum aparelho que você sabe que seu familiar usa (ou usava) rotineiramente.

Sinais de fogo. As bocas do fogão estão escuras? Os fundos das panelas estão queimados? Procure também extintores de incêndios descartados, detectores de fumaça que foram desmontados ou caixas de soda cáustica perto do fogão. Acidentes acontecem; procure saber a história por trás do que você vê.

– Aumento do uso de entrega de comida ou adoção de refeições mais simples. Uma mudança nas habilidades físicas e mentais podem explicar essa opção por receitas mais simples ou escolhas alimentares.


7. Sinais pela casa

Observe as áreas de convivência. Às vezes, o sinal mais óbvio é difícil de notar porque nos acostumamos a ele. Fique de olho em:

– Excesso de coisas acumuladas. Uma inabilidade de jogar as coisas fora pode ser uma questão neurológica ou física. Obviamente é mais preocupante numa pessoa obsessiva com organização do que alguém que já não é muito organizado por natureza. Papeis e brinquedos de animais de estimação jogados no chão podem representar perigo para tropeçar.

– Sinais de desleixo na manutenção da casa. Líquidos que foram derramados e não foram limpos são um sinal comum de demência – a pessoa não tem a habilidade de dar continuidade à arrumação. Fique atento a teias de aranha, mofo no banheiro, camadas grossas de poeira ou outros sinais de desleixo. Limitações físicas podem significar que seu familiar precisa de uma empregada ou de uma situação de moradia em que isso seja responsabilidade de outra pessoa.

– Sujeira e acumulação no banheiro. Um cenário comum: seu familiar faz um esforço enorme para arrumar as outras áreas, mas ignora o banheiro. Ou o banheiro de hóspedes está limpo, mas não o banheiro que ele usa sempre. Aqui você pode ter uma ideia real de como o idoso está cuidando das coisas.

8. Sinais em plantas e pets

Certifique-se de como estão os outros seres viventes na casa. A habilidade de cuidar de animais de estimação e plantas caminha junto com a habilidade de cuidar de si mesmo. Fique de olho em:

– Plantas que estão morrendo ou mortas. A maioria de nós vê plantas secando algumas vezes. Atente para negligência crônica, especialmente se o dono da casa é alguém que gosta de plantas.

– Animais que não parecem estar bem tratados. Problemas comuns: cães com unhas longas, areia na caixa de gato que não foi trocada, ou peixe morto no aquário. Falta de cuidado, excesso ou falta de comida são outros alertas.


Extraído de www.caring.com



http://www.sbgg-sp.com.br/sera-que-o-idoso-ainda-e-capaz-de-morar-sozinho/