• Ines Rioto

Boas Práticasde Ageing in Place.Divulgar para valorizar GUIA DE BOAS PRÁTICAS


António M. Fonseca


O objetivo deste Guia de Boas Práticas é proceder ao levantamento de um conjunto de iniciativas de promoção da inclusão social dos cidadãos mais velhos nas respetivas comunidades, valorizando o que é habitualmente designado por ageing in place («envelhecer em casa e na comunidade», em tradução livre). Ageing in place significa a capacidade de continuar a viver em casa e na comunidade ao longo do tempo, com segurança e de forma independente. Este conceito requer uma abordagem interdisciplinar protagonizada pela gerontologia, valorizando intervenções em diferentes escalas: nacional, regional, comunitário e individual.


Atualmente, nos países economicamente mais favorecidos, quando os idosos começam a perder autonomia e capacidades, a opção é muitas vezes a institucionalização, enquanto nos países economicamente mais frágeis o ageing in place surge não como uma opção mas sim uma necessidade, dadas as limitações dos sistemas de segurança social e a falta de alternativas institucionais. O nosso ponto de vista é que o ageing in place não seja visto como um recurso mas antes como a primeira opção, pelas vantagens de inclusão social e de recompensa emocional que traz associadas. É por isso urgente valorizar e dar a conhecer o que de positivo se faz para promover o ageing in place em Portugal, onde uma população cada vez mais envelhecida não pode ficar à margem das comunidades em que vive.


À pergunta «qual o lugar ideal para envelhecer?«, as pessoas mais velhas respondem geralmente «aquele que eu já conheço!» Na verdade, envelhecer no lugar onde se viveu a maior parte da vida e onde estão as principais referências dessa vida (relacionais e materiais) constitui uma vantagem em termos de manutenção de um sentido para a vida e de preservação de sentimentos de segurança e familiaridade. Isto é alcançado tanto pela manutenção da independência e autonomia, como pelo desempenho de papéis nos locais onde se vive. Assim, o ageing in place atua de múltiplos modos, que precisam de ser tidos em conta na definição de ações e políticas dirigidas aos mais velhos.


Neste Guia exploramos o conceito de ageing in place através da recolha, organização e divulgação de iniciativas atualmente implementadas em Portugal e que classificamos como boas práticas neste domínio. Assim se evidencia a importância do ageing in place em termos funcionais e emocionais, no sentido de manter as pessoas idosas não só a viver em suas casas mas também a participar na vida das suas comunidades, pelo tempo mais alargado que lhes for possível. Pretende -se ir além do reconhecimento da importância dos serviços de apoio domiciliário, chamando a atenção para iniciativas que, pelo seu carácter inovador, possam efetivamente constituir -se como boas práticas neste domínio. Deste modo, procuramos não só reforçá -las (e aos seus promotores) mas também sinalizar modalidades de intervenção social em linha com as que são preconizadas pela Organização Mundial de Saúde quando se refere ao ageing in place como ter apoio social necessário para viver, com segurança e de forma independente, em casa e na comunidade à medida que se envelhece (WHO, 2015).


https://content.gulbenkian.pt/wp-content/uploads/2018/05/15122919/ageing_in_place_web.pdf