• Ines Rioto

33 milhões de brasileiros não têm onde morar, aponta levantamento da ONU



33 milhões de brasileiros não têm onde morar, aponta levantamento da ONU

24 milhões que não possuem habitação adequada ou não têm onde morar, vivam nos grandes centros urbanos.


Especialistas em habitação traduzem os números: a falta de moradia aumenta o número de invasões e de população favelada ; o índice chegou a 11,4 milhões, segundo o Censo 2010 do IBGE


Déficit de moradia no país chega hoje a 7,7 milhões, das quais 5,5 milhões estão em centros urbanos. Se o cálculo incluir moradias inadequadas (sem infraestrutura básica), o número chega a uma faixa de 12,7 a 13 milhões de habitações, com 92% do déficit concentrado nas populações mais pobres.

A população favelada no Brasil aumentou 42% nos últimos 15 anos e alcança quase 11 milhões de pessoas, segundo análise do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) com base na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE.


Um total de 11.425.644 de pessoas –o equivalente a 6% da população do país, ou pouco mais de uma população inteira de Portugal ou mais de três vezes a do Uruguai. Esse é o total de quem vive, atualmente, no Brasil em aglomerados subnormais, nome técnico dado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).


Com base nos vários itens de monitoramento das condições de moradia, que levam em conta, o acesso a serviços de saneamento, o material de construção usado e até o número de pessoas que dormem por cômodo, o Ipea concluiu que 54,6 milhões pessoas nas cidades vivem em situação inadequada. Isso equivale a 34,5% da população urbana. IPEA



Em 2020, a pobreza e a desigualdade social aumentaram em quase 20% no Brasil. Mais de 19 milhões de pessoas estão passando fome. Isso quer dizer que quase 10% da população está subalimentada. O país deve voltar a figurar na geopolítica da miséria: o Mapa da Fome.

34 milhões de moradias no país não têm acesso a saneamento básico. Isso representa 49,2% de todas as casas brasileiras. As mulheres pobres do Norte e do Nordeste do país são as mais afetadas.

Outras 9,6 milhões de casas – ou seja, cerca de 48 milhões de pessoas – não têm acesso à água potável.

Com a aprovação em 2020 do Novo Marco do Saneamento, que propõe a privatização deste direito humano, esse número deve aumentar, dificultando ainda mais o acesso à água e ao saneamento pela população pobre do país.

O déficit habitacional no país aumentou. Temos mais de 6 milhões de famílias sem casa. Pelo menos 8% das casas do país são precárias ou têm um valor de aluguel muito alto, inacessível para a população mais pobre. São mais de 3 milhões de famílias vivendo nesta situação.

A solução encontrada por milhares de pessoas é ocupar terrenos e prédios abandonados para construir suas moradias. No entanto, o Brasil é um dos países que mais despeja famílias no mundo. Em 2020, em plena pandemia, não foi diferente.

Apesar do lema “fique em casa” e de recomendações de todos os órgãos de proteção de direitos humanos, incluindo a Organização das Nações Unidas, para evitar os despejos, mais de 9.156 famílias foram despejadas durante a pandemia no Brasil, de acordo com dados da Campanha #DespejoZero.

60% de todos os casos registrados aconteceram em dois estados: São Paulo e Amazonas. São mais de 64.546 famílias ameaçadas de perderem suas casas.

98% da verba destinada ao programa de habitação popular vigente foi cortada, praticamente zerando o orçamento para construção de moradia para famílias de baixa renda no país.

https://habitatbrasil.org.br/impacto/nossa-causa/

*Fontes: IPEA, ONU, IBGE, Fundação João Pinheiro e Campanha Despejo Zero.


Com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, o Ipea indicava que em 20,6% dos 71,3 milhões de domicílios do país a renda do idoso representa mais de 50% do total dos rendimentos da família. Nessas famílias, a renda per capita média é de R$ 1.621 por mês. Há ainda outras 12,9 milhões de casas, que representam 18% dos total de domicílios, nas quais os ganhos dos idosos são a única fonte de renda.


O estudo, realizado Fundação Perseu Abramo (FPA) e SESC destaca que 64% dos idosos estão aposentados, 95% deles contribuem com a renda da casa e 68% chefiam uma família.